» FICHA TÉCNICA |

Título: Na Natureza Selvagem
Título Original: Into the Wild
Gênero: Aventura - Drama
Duração: 140 min
Origem: EUA
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Sean Penn
Roteiro: Sean Penn
Produção: Art Linson, Sean Penn, William Pohlad, Frank Hildebrand
Elenco: Emile Hirsch (Christopher McCandless – Alex Supertremp); Marcia Gay Harden Billie (McCandless); William Hurt (Walt McCandless); Jena Malone (Carine McCandless); Brian Dierker (Rainey); Catherine Keener (Jan Burres); Vince Vaughn (Wayne Westerberg); Kristen Stewart (Tracy); Hal Holbrook (Ron Franz); Zach Galifianakis (Kevin); Cheryl Francis Harrington (Social Worker);Thure Lindhardt (Thomas); Robin Mathews (Gail Borah).
Estréia no Rio: 14/03/08
Estréia em São Paulo: 22/02/08


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raFAEL FERRAZ »

rafaelfdc@hotmail.com

» SÃO PAULO, 22 DE FEVEREIRO DE 2008

NA NATUREZA SELVAGEM

Foto: Divulgação/Paramount

Christopher McCandless é um rapaz diferente dos outros. Não se submete aos “benefícios” do mundo capitalista. Como presente de formatura, pode ganhar um carro do pai, mas recusa. Cansado de sua vida e da falsidade no ambiente familiar, com os pais se suportando inutilmente, o rapaz se livra de todos os seus pertences, incluindo a poupança para estudos, queima a identidade (os militantes de “A Concepção” adorariam isso) e parte para uma viagem de descoberta. Percorre os Estados Unidos, evitando as grandes metrópoles, de cabo a rabo e de rabo a cabo, por dois anos, sem dar satisfações para ninguém. Cria outro nome, entra em contato com a natureza, conhece novas pessoas e percebe como a vida é dura. Baseia-se em uma história real, adaptado de um livro.

Dirigido pelo habilidoso Sean Penn, o ultra-naturalista “Na Natureza Selvagem” começa com rapaz tentando se estabelecer em algum lugar, no desértico Alasca, ao lado de um ônibus quebrado e muita vegetação. É com muito otimismo, através de um extenso “flashback”, que ele relata seus passos até ali.

Um filme de estrada tem dificuldades para ser bom, ainda mais criticando o estilo de vida americano, coisa que muitos o fazem. Contudo, a jornada de descoberta do protagonista é também a descoberta do espectador, que se transporta para seu lugar. A belíssima fotografia de Eric Gautier ajuda a destacar os mais diversos cenários como uma extensão do personagem, não tornando a película um simples programa de turismo e aventura.

McCandless quer saber de seus limites e viver da ajuda ao próximo, sem depender do dinheiro. Lógico que, às vezes, ele se contradiz, tendo que descolar uns bicos para se sustentar, mas nada é permanente. Conhece pessoas dos mais variados sexos e idades, que poderiam formar uma nova família para ele. Contudo, mesmo criando raízes e afeições nos lugares em que passa, o rapaz sempre tem que partir. Sua natureza é itinerante, diferente da maioria das pessoas do mundo globalizado, que estudam ou trabalham, devendo se estabelecer em um local. Coincidentemente, seus novos amigos também têm uma vida cigana, mas a regra é ficar solitário ou encontrar novos mundos, sempre se renovando.

Eddie Vedder compõe a trilha sonora. Sua voz e melodia caem como uma luva para a melancolia que a película passa. O triste dedilhar num instrumento de cordas toca no fundo do coração de cada espectador, mesmo que ele não sendo fã de Pearl Jam, pela voz de seu líder.

O protagonista faz um caminho silencioso. Os sentimentos são descritos através da narração de seu diário, com letras expostas fortemente na tela, e lembranças de sua irmã (Malone), a única mais chegada a ele. Ao mesmo tempo, vê-se o sentimento de seus pais e o gradual conformismo com a partida do filho. Marcia Gay Harden e William Hurt constroem essa aflitiva e conflitiva parte.

Emile Hirsch, em seus últimos projetos, pediu sempre para que não gostassem de sua pessoa. Contudo, neste filme, seu ar jovem favorece totalmente o personagem, impetuoso e corajoso para abandonar o mundo que conhecia desde que nasceu, embora se visse como um estrangeiro nele. Com um bom trabalho de direção, o rapaz de “Show de Vizinha” melhora consideravelmente.

O que menos importa é se a viagem de McCandless dará certo. Os frutos colhidos nela é que terão validade. A crônica de destruição familiar se transforma lentamente na de (re)construção individual. Se a sociedade está doente, nada como o bucolismo e o desapego material para remediar.

Sean Penn faz mais um ótimo filme. Diferente de “A Promessa”, esse é fácil de gostar. O desfecho é melhor ainda. Não vale contar, mas é tão bom quando o restante, só que diferente. Mesmo a natureza sendo obviamente selvagem, esta é uma história terrivelmente familiar. Poucos não sonharam em sair de casa quando brigavam com os pais. A viagem desse personagem é um sonho que deu relativamente certo, por mais utópico que possa parecer.

Cotação para este filme:
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