» FICHA TÉCNICA |

Título: Juno
Título Original: Juno
Gênero: Comédia
Pais/Ano: EUA, Canadá e Hungria Ano: 2007
Diretor: Jason Reitman
Produção: John Malkovich
Roteiro: Diablo Cody
Fotografia: Eric Steelberg
Trilha Sonora: Matt Messina
Estúdio: Paramount
Distribuição: Focus Filmes 
Duração/Censura: 92 min / 0
Elenco: Ellen Page, Michael Cera, Jennifer Garner, Jason Bateman, Allison Janney, J.K. Simmons, Olivia Thirlby, Eileen Pedde, Rainn Wilson, Daniel Clark, Valerie Tian, Emily Perkins
Estréia no Brasil: 22/02/08


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raFAEL FERRAZ »

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» SÃO PAULO, 22 DE FEVEREIRO DE 2008

JUNO

Foto: Divulgação/Paramount

Gravidez na adolescência é um assunto tratado exaustivamente por psicólogos, sexólogos e filmes. A perda da liberdade ou a suposta falta de informação são, normalmente, os problemas. No independente “Juno”, de irreparável humor negro, isso fica em segundo plano.

Juno MacGuff (Page) tem 16 anos, dorme com Paulie Bleeker (Cera), um colega de escola sem muita iniciativa, e tira o azar grande no teste de gravidez. Para ela, a solução mais prática acaba sendo a de arrumar pais adotivos para a criança. E encontra, no suburbano e confiável casal Loring (Garner e Bateman). Tudo certo? Nem um pouco. Os problemas enfrentados nos nove meses de gestação darão experiência à jovem protagonista, que descobre não ser tão madura quanto pensa.

Escrito pela novata Diablo Cody (nome de guerra para Brook Busey), “Juno” mostra reações completamente diferentes no lidar de um problema tão comum e atual. Claro que os outros olham com desconfiança a barriga da menina, mas, dentro do mundo desta, poucas surpresas ocorrem. Juno vê isso como uma situação passageira e a vida dentro de sua barriga, como um brinquedo. Em nove meses, tudo voltará ao que era antes. O que é perfeitamente plausível, já que esse tipo de preocupação não é compatível com sua idade. Ironicamente, o excesso de informações adquiridas faz com que não crie tantas neuras na hora de passar a criança. A volatilidade na estrutura sua família também pode ser outro fator que colabore para isso.

Há uma série de tiradas sensacionais envolvendo o gênio da menina, que vê o mundo como um ótimo lugar a ser explorado, sem preconceitos. Ela se sente como um sofá no jardim, mas ainda quer aproveitar seu desenvolvimento, tendo um namorado e ótimos amigos. A amizade que faz com o casal adotivo, basicamente com o futuro pai, expressa sua carência por pessoas. Sua ida à casa dos Loring não é só para mostrar um ultrasom, mas também para encontrar uma pessoa que a entenda.

Por ser “indie”, o filme de Jason Reitman (“Obrigado por Fumar”) usa e abusa de brincadeiras visuais, envolvendo números (casas e casas passando até chegar aos Loring), cores e elementos pop. Contudo, as referências começam a se tornar forçadas, em certo ponto. Os personagens de Page e Bateman conversam sobre música e cinema do nada, como se estivesse tocando alguma coisa no rádio ou passando algo na tv. Inverossímeis e irritantes, para dizer o mínimo. Jennifer Garner não usa uma surrada camiseta do Alice in Chains à toa. Nesses equívocos, até a modestidade da boa trilha sonora é questionada, o que é uma pena.

O problema é mesmo o do roteiro. Algumas piadinhas realmente estúpidas são incluídas, a exemplo de duas confusões: a do período de gravidez com o ano escolar da protagonista e da identidade do bebê com o pai dele. Em certo momento, uma profissional de ultrasom é humilhada apenas porque fez um errado juízo. A troco de quê? Esse é um momento negro que prejudica a empatia por aqueles personagens. Cody se “inspira” demais e causa muitos constrangimentos.

Ellen Page é uma garota de futuro. Cativa facilmente, seja rindo, chorando, cantando ou bebendo dois litros de suco. Michael Cera preserva o tipo tímido e retraído de seu personagem em “Superbad – É Hoje”, que cai como uma luva para Bleeker, um ser inseguro por natureza. A desconfiável Jennifer Garner e o retraído Jason Bateman também estão bem, importantes em suas caracterizações.

“Juno” é tão divertido quanto “Hora de Voltar”, mas fica longe de seus colegas de subgênero, inclusive do inofensivo “Pequena Miss Sunshine”. Não importa quantos Tic Tacs sejam consumidos ou músicas/filmes sejam referenciados, o filme de Reitman é superestimado.

Cotação para este filme:
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