ON INDOMÁVEIS
Foto: Divulgação/Focus Filmes
A honra é uma característica notável. Vista como muita freqüência nos antigos westerns, ela moveu personagens a impensáveis caminhos, fazendo-os sacrificar tudo. São valores não muito defendidos, atualmente.
Em Os Indomáveis, refilmagem de Galante e Sanguinário (1957), Dan Evans (Bale) é um rancheiro que, com dívidas e família para criar, está prestes a perder seu terreno, onde, em breve, construirão trilhos de trem. O Estado põe fogo em seu celeiro, como represália e ultimato. Se não pagar o que deve, não sobrará mais nada. A esposa não agüenta mais essa situação.
De repente, surge uma oportunidade de ouro: escoltar Ben Wade (Crowe), famoso e temido criminoso, até a estação de trem, onde embarcará, às 3:10, para a prisão de Yuma. Claro que seus capangas farão de tudo para interceder e o salvar, matando quem quer que fique no caminho. O pobre civil quer ganhar um dinheiro e garantir o sustento de sua família até a próxima temporada de colheita. É uma tarefa arriscada.
Por meio do duelo entre dois grandes atores, o diretor James Mangold (Johnny & June) constrói uma razoável narrativa nos dois primeiros atos. Russell Crowe, carrancudo que só ele, cai perfeitamente no papel. Christian Bale, também, acostumado a fazer tipos desesperados e precários, como os protagonistas de O Operário e O Sobrevivente. Ele se pinta de sujeira e sofrimento para compor Dan, aparente herói na Guerra Civil Americana.
A vontade de quitar as dívidas e a demonstração de bravura para transportar um bandido de alta periculosidade é eclipsada apenas pelo objetivo de dois personagens: William Evans e Charlie Prince. William (Lerman), o filho mais velho de Dan, quer mostrar que sabe se virar, mas é seduzido pela liderança de Wade quando presencia um de seus assaltos. Dan não quer que o rapaz se torne uma cópia do bandido, o que desperta um espírito de superproteção. Esses problemas fazem com que o jovem personagem não seja um simples pentelho no meio da narrativa. Em outra vertente está Charlie (Foster), que dedica total lealdade ao patrão, o prisioneiro para Yuma que quase não põe a mão na massa, deixando o serviço sujo para seus capangas. Em determinado momento, o servo convoca outros companheiros para resgatar Wade, mas um deles questiona se aquilo vale a pena, ganhando um belo prêmio por tamanha insolência. O personagem de Crowe sabe que será resgatado, de alguma forma. Sem esse código de lealdade, presente na maioria dos títulos do gênero, Charlie já teria assumido a liderança. Contudo, sem a fama e extensa lista de crimes, creditadas apenas ao líder recém-capturado, ele não duraria muito tempo.
Depois de muita conversa fiada, o terceiro ato mostra a que o filme veio, explicitando sua razão de existir. Descobre-se o poder de fogo de Wade, sem a qualidade estar atribuída a ele, diretamente. É um dos momentos mais surpreendentes da história. Nele, o desejo monetário de Dan transporta-se para outras pessoas, só que sem sua dignidade.
O desfecho é mais simbólico do que literal. Os Indomáveis encerra-se em grande estilo, num bang bang a perder de vista, até improvável, dada a situação das cenas. É uma bela lição de moral, dada pelas vias erradas. Isso que o torna tão fascinante, mesmo sendo uma releitura.
Crowe e Bale têm boa presença, não decepcionando suas expectativas. Ben Foster é o terceiro na lista dos mais notáveis. Não rouba a cena, mas se destaca com um personagem aparentemente louco, que transita entre banhos de sangue e cega lealdade. Um belo trabalho em um bom filme.
Os Indomáveis não é um western irrepreensível, mas tem muitas qualidades. Ben Wade não é Jesse James ou Dan Evans, Robert Ford. Querem um longe do outro, mas o diálogo torna-os próximos. São eles que comandam o filme e tornam dúbias as intenções de Wade, mesmo este sendo o criminoso mais procurado do Oeste.
(Leia outra crítica sobre este filme)
Cotação para este filme:
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