Símbolos
É natal. Uma data esperada por todo o planeta em um único dia. São tantas as coisas a dizer, desejar e entender... A Igreja Católica diz ser o nascimento do menino Jesus. Que me perdoem os que acreditam, mas minha fé anda em baixa e religião às vezes parece não passar de estória.
Ao levantar e ligar a televisão para assistir minha irmã tocar num programa especial de natal, deparei-me com um quadro em que um menino e um adulto tocavam, encenavam e contavam uma fábula sobre um pinheirinho e sua tristeza em relação aos seus ramos pontudos, que ficaram imponentes ornados com estrelas para festejar o natal. Depois, fui terminar o cartão-vídeo de natal do meu namorado, que precisava apenas do texto para ser finalizado. As palavras vieram embaladas com as imagens e sons que se sucediam a cada nova transição de slide, o que me fez pensar no quanto eu o amava e como me emocionava com cada olhar, gesto, beijo e momento vivido ao seu lado. Isso me induziu à madrugada mágica que foram as primeiras horas deste 25 de dezembro. Esperávamos uma pequena ceia e uma árvore simples aqui em casa. Pois não é que fora uma das melhores por mim já lembradas? A chegada da casa dos meus tios, o amigo oculto entre nós quatro, o CD tocado e editado pela minha irmã Bruna para mim, o espanto da mamãe Lucia ao ver tantas pulseiras num único embrulho e o sorriso do papai Valmir ao abrir seu presente e encontrar um perfume – nunca eu ficara tão feliz ao dar nada a ninguém. A expressão e as palavras que escaparam de seu semblante me fizeram enxergar como o natal é mágico, belo e vivo.
Posteriormente, a visita a casas de familiares do Hugo. Assistimos alguns vídeos estilo o que eu preparava para ele – e não conseguira terminar por conta de problemas no computador -, alguns trechos de um filme qualquer que passava em canal fechado, comemos torta de queijo e presunto, falamos com alguns amigos ao telefone. De volta a casa, com meus três amados familiares, assisti um DVD da Barbie especial de Natal e a mensagem deixada por este viria a ser reforçada por Anjo de Vidro, outro filme assistido no dia, mais a noitinha e sozinha.
A vida nada mais é do que a crença em histórias e estórias – sejam elas fantásticas ou reais. É a transmissão de sentimentos de nós para nós mesmos, de forma a influenciar terceiros, quartos e quintos. É amar, sonhar, dividir, compartilhar, sorrir. Assim também é o espírito do natal. Eis que, então, olho para o presépio.
Lá está o menino Deus, em sua pele de porcelana, simbolizando tudo o que eu refletia. E percebi que as histórias são símbolos. Que o natal é símbolo. Que os ideais são símbolos, as bolas que ornam a árvore de natal da sala são símbolos, assim como as letras que saem da ponta dessa caneta. E me pus no lugar da escritora e atriz que sou. Símbolos. Sonhos, emoções, intenções, fé.
E me deu uma vontade enorme de dividir com o mundo – ou com meu raio de amigos, conhecidos e imediatos desconhecidos – o amor que tenho por meus pais, minha irmã, meu namorado, amigos e familiares, um amor que também se estende às artes e a mim mesma. Um amor que se traduz num tipo de fé... Por ora fiquemos nesta escrita. E um feliz natal a todos!
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