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augao148@oi.com.br

» RIO DE JANEIRO, 12 DE NOVEMBRO DE 2006

Segurança Pública Carioca

Evitem, tanto quanto possível, andarem sozinhos, à noite, na cidade do Rio de Janeiro, pois retrocedemos no tempo, e voltamos à época dos comboios. Vale a pena ter sempre, à mão,  os telefones das principais cooperativas de táxis. No final das contas, sai muito mais barato utilizar seus serviços, com a grande vantagem de vocês poderem se divertir nas saídas a restaurantes, baladas, cinemas, etc., mais tranqüilos e relaxados, sem necessitarem se limitar aos dois chopes regulamentares, e, ao final, serem transportados de volta às suas residências em veículos novos, dirigidos por motoristas profissionais.
 
Habituem-se a identificar pessoas, pareçam ou não suspeitas. Treinem. Tentem registrar quantas peças e cores de vestuário vocês conseguem reter na memória. Utilizem como referência de altura, portas de apartamentos ou  automóveis. Observem a existência de sinais pessoais (tatuagens, por exemplo). É muito comum, após ocorrências em que somos vítimas, confundirmos a altura dos marginais, as roupas que trajavam, se as tatuagens ficavam no lado esquerdo ou direto, se o desenho era um dragão ou âncora,  etc.
 
Se forem fixar atenção aos trajes dos delinqüentes escolham, em primeiro lugar, a calça e os sapatos, pois é comum os criminosos usarem duas camisas sobrepostas. 
 
Ao descerem, de automóvel, a Avenida Rio Branco, a partir do anoitecer, estejam certos de que ao seu término, próximo ao "Obelisco", se virarem à direita em direção aos bairros da Glória, Catete, etc. ou se pretenderem alcançar o Aterro do Flamengo e tiverem a pouca sorte de ficarem retidos nos sinais de trânsito lá existentes, terão em torno de 30 % (trinta por cento) de chance de serem assaltados pelos bandidos, de menor idade, armados de pedras, facas, garrafas, giletes (assistidos por adultos) que se escondem atrás das árvores ou ficam deitados no gramado da Praça que margeia aquelas vias de trânsito, à espreita das vítimas, preferencialmente, senhoras, idosos, jovens ou distraídos. O ponto, bastante conhecido das autoridades e de todos os motoristas de táxi fica, exatamente, em frente ao Passeio Público. O assalto pode ocorrer em qualquer um dos seus quatro lados.
 
Idêntica cautela ao transitarem, a noite, por trechos da cidade do Rio de Janeiro, repletos de grossas colunas ou com grandes bancas de jornais. Estas últimas, verdadeiras mini-lojas, transformam calçadas estreitas em becos, facilitando a ação dos assaltantes.
 
Evitem parar para "bate-papos", com conhecidos, nas calçadas do Centro da Cidade. Vocês ficarão vulneráveis. Adotem o hábito de convidá-los a entrar  em um bar e tomar um café, pois, assim procedendo, deixarão de ser incomodados por algumas das seguintes "tribos":
 
- "Preciso do dinheiro do ônibus para Nova Iguaçu";
 
- "Me ajude a pagar minha volta para o Nordeste";
 
- "Isso não é um assalto, me dê quanto quiser, pois prefiro pedir !";
 
- "Não quero dinheiro, sou um pedreiro, peço que me arranje um serviço...", afirmam  portando, algumas vezes, até, marretas, martelos, alicates, etc., com evidente propósito de intimidação. Se vocês estiverem caminhando, durante este tipo de abordagem, não parem, nem respondam, passem direto;
 
- "E aí, não se lembra mais de mim ?" (sequer respondam e sigam em frente).  
 
A propósito, já notaram que a maioria dos turistas que andam em nossas  calçadas ou transitam no Metrô-Rio mais parecem "retirantes de áreas devastadas" ?
 
Por que será? Sem relógios, pulseiras ou anéis, e usando camisas, bermudas, vestidos ou calças bastante simples - às vezes, até surradas - chinelos de dedos ou sandálias. Não é para menos, pois já desembarcam, na cidade do Rio de Janeiro, em verdadeiro pânico, tantos são os avisos que recebem, lá fora e aqui.
 
Nós, habitantes desta cidade, que um dia ainda voltará a ser chamada de MARAVILHOSA, pelo menos, tornamos públicos tais fatos.
 
O mesmo não se pode dizer de muitas outras, no Brasil ou no Exterior, que para defenderem seus Nichos de Turismo, os ocultam da mídia, como por exemplo: o murro no rosto com que os ladrões motorizados, em Roma, agridem, inclusive, senhoras de idade, ao roubarem suas bolsas, ou as facadas dos assaltantes em Paris (como a que vitimou a teatróloga Ruth Escobar) ou os freqüentes furtos de bolsas durante os cafés da manhã em hotéis de Miami, ou ainda, os assaltos e outros atos de violência durante a passagem dos Trios Elétricos, em Salvador:  AXÉ !
 
É até previsível que o centro da cidade do Rio de Janeiro tenha muitos ladrões, como em qualquer lugar do mundo, pois é lá que se concentra a grande massa trabalhadora e o comércio. Estranho seria, eles se agruparem na periferia, como há trinta e tantos anos atrás.
 
O que não pode continuar acontecendo é a fragilização que se impôs, ao longo dos últimos vinte e seis anos, ao trabalho de abordagem preventiva. O policial caminhante, atuando, de preferência, em dupla (lembram-se dos Cosme & Damião) pode e deve fazer indagações, de forma própria e  em benefício dos demais cidadãos, a todos os indivíduos que se comportem de maneira suspeita, nas vias públicas.
 
É subjetivo o conceito de abordagem preventiva: É !
 
Existe outra fórmula ? Que se conheça, NÃO !
 
Haverá reações populares e da mídia a esse procedimento ? COM TODA CERTEZA !
 
Alguém discorda da afirmação de que a insegurança dos cidadãos nas vias públicas das principais cidades brasileiras é um fato concreto? NÃO, e tenho absoluta certeza de que até os familiares dos próprios criminosos concordam! 
 
Enquanto os bandidos nos elegem como presa fácil, a autoridade policial fica de mãos e pés amarrados, esperando a consumação do crime, pois conhece muito bem a ira dos que passam 24 horas por dia tentando encontrar falhas - as menores que sejam - que permitam acusar os organismos de segurança pública de agressão aos direitos humanos.
 
Estejamos certos: os marginais agradecem penhorados, tantas interferências ao trabalho policial !
 
É fato que todos os cidadãos querem uma polícia eficiente, mas,  grande parte da população rejeita ser indagada por um policial, dentro do seguinte entendimento: " O que meus amigos vão pensar de mim se me virem sendo questionado por um guarda na rua ? "
 
Acho que a população tem que decidir sobre qual é a polícia que deseja:
 
- A polícia civil, a polícia militar, ou uma única instituição que reuniria o que de melhor existe em ambas as corporações?
 
- Uma instituição de fachada ou uma que funcione de verdade, que pague salários dignos e possua um plano de cargos e salários compatível e coerente com a contrapartida dos serviços a serem recebidos pela sociedade, e que acabe com os famigerados e desumanos turnos de 24h, de trabalho, por 72h, de repouso, que além de prejudicarem a eficácia do organismo policial,  jogam grande parte de seu efetivo aos braços de serviços paralelos conhecidos como "BICOS"?
 
- A que aborda, averigua, investiga, reprime e prende, ou a que espera os crimes acontecerem, para agir ?
 
Se existem falhas na esfera policial - o que ninguém tem dúvida - que elas sejam apontadas, corrigidas e seus responsáveis processados, da mesma forma como se está tentando executar a nível do congresso nacional brasileiro, na área previdenciária, no poder judiciário, nos governos estaduais, municipais, etc.
 
O que não se pode continuar permitindo é que a POLÍCIA seja impedida de fazer o dever de casa, em outras palavras, é imperativo massificar, à exaustão, o esforço preventivo!
 
Finalizando:
 
- Consultar um advogado, antes, vale;
 
- Ir ao médico, ao primeiro sintoma, vale ;
 
- Tomar a vacina, antes do surto, vale ;
 
- ATUAR, ANTES DO CRIME SER COMETIDO, VALE, E MUITO!

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*AUGUSTO ACIOLI é economista

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