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augao148@oi.com.br

» RIO DE JANEIRO, 25 DE OUTUBRO DE 2006

Cotas Raciais

De todas as injustiças perpetradas contra a raça negra no Brasil, essa é - em minha opinião - a que se afigura como a mais cruel, por passar incólume e despercebida quanto aos males e conseqüências que poderá vir a acarretar ao longo dos próximos anos.

Ao ser estabelecida uma cota qualquer para preenchimento de vagas em concursos públicos por parte de determinada parcela da população brasileira, criou-se, ao mesmo tempo, uma reserva de mercado para o percentual restante, algo impensável e inadmissível nas sociedades ditas democráticas.

Instituiu-se, assim, a figura da investigação racial - tão comum nos famigerados regimes totalitários, que irá amparar, dessa vez e por absurdo, legitimamente, a todos aqueles que se julgarem prejudicados em seus direitos; o epílogo se dará no lugar de sempre: no Poder Judiciário.

A manutenção desse critério de cotas raciais representa uma ofensa adicional a todos os cidadãos negros que venceram seus desafios pessoais face ao próprio esforço e capacitação, bem como estabelecerá no Brasil, e de uma só penada, a vergonhosa e ainda inexistente separação entre brancos e não brancos. Com a ressalva consagrada aos deficientes físicos, toda a sociedade brasileira sempre esteve representada nas universidades ou no exercício de funções públicas, sem a necessidade do amparo de decretos ou leis.

Venho constatando nos recentes anos que há no Brasil uma forte preocupação - talvez até de cunho político - para que seja aceito como fato concreto, a existência de um conflito racial em gestação e/ou ebulição no país, algo que o dia-a-dia de nossas ruas, avenidas, praças, meios de transporte, estádios, museus, teatros, cinemas, poderes executivo, legislativo e judiciário, corporações militares e policiais etc., teima em não confirmar, até por que leis, ainda em vigor, capitulam e punem, com severidade, tais crimes.

O que existe de fato, são classes sociais separadas, entre si, por abissal diferença de poder econômico-financeiro, decorrente, principalmente, de uma pré-histórica e desigual distribuição da riqueza nacional, e de um reconhecidamente elevado índice de exclusão educacional. Esses sim, é que são os verdadeiros demônios que deveriam haver sido exorcizados de nossa sociedade pelo ora questionado projeto de Cotas Raciais, pois discriminam, afastam, agridem, humilham e envergonham, sem distinção, a todas as raças que orgulhosamente compõem o que se chama de Nação Brasileira.

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*AUGUSTO ACIOLI é economista

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