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» FLORIANÓPOLIS, 3 de junho DE 2008

REMINISCÊNCIAS

Ah... Como eu queria voltar o tempo!

Não vá pensar que a nostalgia tem a ver com crise de idade ou suas implicações correlatas. Longe disso!

Eu queria mais precisamente voltar ao inverno de um ano específico de minha vida.

Naquele ano o frio foi mais rigoroso e seco que o esperado,  mas dentro de mim fazia um verão primaveril!

Eu queria voltar àquele agosto de frio intenso que tinha ares de janeiro ensolarado em meu coração.

Eu queria sentir novamente aquela brisa suave de primavera que teimava em embalar meus sonhos naquele mês de chuvas finas e persistentes.

Caía um vento gelado lá fora, mas cá dentro reinava uma quentura divina.

Ah... Como eu queria voltar o tempo!

Eu queria a certeza daquelas madrugadas eternas nas quais era permitido falar sobre qualquer assunto.

Eu queria estampar novamente aquele sorriso bobo em meu rosto; quando a vida parecia tão mais simples e encantadora.

Naquelas noites frias, bastava providenciar um som de blues ou jazz, algumas velas pela casa, janelas abertas para o céu estrelado, duas gotas daquele perfume que você amava; um bom vinho e estava pronta a fórmula da felicidade!

Eu queria o replay infinito daquelas horas em que sua doce presença incandescia-me os sentidos e era possível amar sem temores.

E o que dizer daquelas flores que desabrochavam em todas as cores em plena estação das geadas?!

Ah... Como eu queria voltar o tempo!

Eu queria rever em todo o seu esplendor aquele seu primeiro instante na minha vida.

Então se fez setembro, outubro, novembro... E todos os meses daquele ano tiveram para mim a mesma temperatura. Era sempre verão... Com ares de primavera.

Quando dezembro finalmente trouxe o calor, o amor explodiu em meu peito!

Ah... Como eu queria voltar o tempo!

Eu queria muito mais que os meses: eu queria os anos, as décadas e toda a eternidade daquele contentamento indizível que havia na sua presença.

Ah... Mas sabe o que eu queria de verdade?

Eu queria que hoje, sem que fosse preciso voltar o tempo, você estivesse aqui e transformasse esse inverno numa eterna primavera.

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* Jacqueline Gershenson (Jacque) é gaúcha, mora em Florianópolis, é bancária com formação em Administração de Empresas.


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